O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide nesta quarta-feira a nova direção da Selic, em sua terceira reunião do ano. Nos dias que antecedem o encontro, os contratos de opção sobre as decisões do Copom negociados na B3 apontam para uma aposta massiva na redução branda: algo em torno de 90% dos investidores posicionados para um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa básica a 14,5% ao ano.
A mudança de cenário é evidente quando se comparam expectativas antes e depois do choque internacional. Em 27 de fevereiro, um dia antes do início do conflito no Oriente Médio, 66% do mercado trabalhava com um corte de 0,5 ponto para a reunião — e parcela relevante esperava perdas maiores. Desde então, a incerteza externa levou os agentes a encurtar a ambição de afrouxamento. Na última coleta de dados disponível antes da decisão, 90,5% dos contratos favoreciam o corte de 0,25 ponto, enquanto uma minoria apertada mantinha esperança de cortes mais profundos ou de manutenção da taxa.
A própria liderança técnica do BC tem reconhecido a persistente dúvida: o diretor responsável por questões internacionais e de risco afirmou que o quadro macro não melhorou desde a reunião de março, sinalizando que a autoridade monetária vê espaço para prudência. O boletim Focus e outras sondagens do mercado corroboram a tendência: a trajetória esperada para a Selic ao longo do ano foi deteriorando-se, com agentes recalculando a velocidade e a magnitude dos cortes diante de pressões externas e do desempenho recente da inflação.
O resultado de hoje tem efeito direto em variáveis reais: um corte pequeno confirma um ciclo de afrouxamento mais gradual, com impacto limitado sobre crédito e atividade imediata; um recuo maior pelos diretores — improvável segundo as opções — poderia reanimar expectativas, mas também arriscaria a credibilidade do BC se a inflação se mostrar resistente. Em qualquer hipótese, a leitura dos contratos na B3 deixa claro que o mercado está mais avesso a apostas arriscadas, e que a autoridade monetária terá de equilibrar sinais domésticos e choques externos para preservar a ancoragem das expectativas.