O boletim Focus do Banco Central trouxe nesta segunda-feira uma nova elevação na projeção da inflação para 2027: analistas passaram a prever IPCA de 4,25% para o ano, ante estimativas anteriores mais baixas. A projeção para 2026 ficou mantida em 5,02% pela segunda semana seguida, e 2028 segue em 3,80%. O movimento indica que as expectativas de inflação a médio prazo ainda não estão totalmente ancoradas.
Na frente do crescimento, a mediana para o PIB de 2026 recuou 0,03 ponto percentual, para 1,95%. As estimativas para 2027 e 2028 ficaram em 1,50% e 1,98% (alta de 0,11 p.p.), respectivamente. O ajuste para baixo em 2026, embora modesto, aponta para um ano de atividade frágil, com consequências diretas sobre arrecadação e equilíbrio fiscal.
O mercado também revisou projeções para o câmbio: expectativa de R$ 5,20 para o fim de 2026 e R$ 5,30 para 2027 e 2028 — marca que já completa dez semanas consecutivas entre as previsões. Já a taxa Selic permanece com mediana de 13,75% para encerramento do ano; os analistas projetam queda gradual para 12,00% em 2027 e 10,50% em 2028, mas em patamar ainda elevado no horizonte próximo.
O conjunto de números acende um alerta para a política econômica: inflação projetada acima de metas em 2026 e 2027, crescimento econômico fraco e juros altos pressionam o poder de compra e aumentam o custo do ajuste fiscal. Para governantes e gestores, o desafio é compatibilizar agenda de ajuste com medidas que preservem atividade e renda — sem sinalizar relaxamento que possa desancorar expectativas inflacionárias e complicar a narrativa oficial.