Pela 12ª semana seguida, o mercado financeiro revisou para cima a projeção da inflação medida pelo IPCA: passou de 5,04% para 5,09% em 2026, alta de 0,05 ponto percentual. As estimativas para 2027 e 2028 também subiram, para 4,02% e 3,66%, respectivamente. No mesmo relatório Focus, o PIB do ano teve uma revisão marginal para 1,90%, ante 1,89% na semana anterior — uma leitura que acompanha o crescimento de 1,1% no primeiro trimestre apurado pelo IBGE.

Entre os demais indicadores, a taxa Selic prevista para 2026 manteve-se em 13,25%, com expectativas de 11,25% para 2027 e 10% para 2028. O câmbio registrou leve recuo na mediana do mercado, de R$ 5,17 para R$ 5,16, e projeções para os anos seguintes variaram apenas de forma discreta.

O movimento repetido de alta nas projeções de inflação aponta para riscos persistentes na dinâmica de preços e reduz o espaço de manobra para uma normalização rápida da política monetária. Para famílias e empresas, uma inflação mais elevada corrói poder de compra e pode limitar a consolidação do consumo que vinha sustentando a recuperação recente do PIB.

Politicamente, números em trajetória ascendente complicam a narrativa de controle inflacionário e ampliam a pressão sobre a gestão fiscal: menor inflação facilita folga orçamentária e queda de juros; o oposto exige prioridade na disciplina de gastos e medidas que aumentem produtividade. O relatório Focus é um retrato do momento, e sinaliza que a agenda econômica terá de conciliar demanda por crescimento com contenção de riscos de preços.