O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira registrou nova alta na projeção da inflação: o mercado passou a estimar o IPCA de 2026 em 5,11%, avanço de 0,02 ponto percentual ante a semana anterior e a 13ª alta consecutiva na série. Ao mesmo tempo, a mediana das expectativas para a taxa básica subiu para 13,50%, alta de 0,25 ponto percentual, sinalizando que o combate à inflação deverá permanecer na frente das prioridades da política monetária.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já vinha apontando pressões de demanda em indicadores recentes e citou choques de oferta ligados ao conflito no Oriente Médio como fator que tende a aumentar custos de bens essenciais. Em linguagem direta, destacou que as famílias percebem no bolso o aumento do preço de itens como leite e carne — um dado que reforça a necessidade de juros mais altos para ancorar expectativas.

As projeções para o crescimento também foram ajustadas, ainda que de forma marginal: o PIB de 2026 foi alterado para 1,91% (ante 1,90% anterior), enquanto as estimativas para 2027 e 2028 permanecem em 1,70% e 2%, respectivamente. O câmbio projetado para o fim de 2026 ficou em R$ 5,15, uma mudança muito pequena frente à semana anterior. O quadro combina crescimento contido com inflação acima do centro da meta, um duplo desafio para a recuperação sustentável.

Do ponto de vista político e fiscal, o recuo na margem do crescimento, somado à necessidade de juros mais elevados, amplia o custo do ajuste: taxa alta encarece o crédito e eleva o serviço da dívida, comprimindo espaço fiscal e pressurando o consumo das famílias. A leitura para o governo é clara — manter credibilidade exige medidas que enfrentem tanto a inflação quanto os entraves à oferta e à produtividade, sob risco de ver repercussões econômicas e políticas no curto prazo.