O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, mostrou que o mercado financeiro passou a projetar a Selic em 14% ao final de 2026. A revisão acompanha uma sequência de reavaliações nas previsões de inflação e reflete um cenário de pressões persistentes sobre os preços, que vêm sendo recalibradas por instituições e agentes econômicos.

Para analistas consultados pela imprensa, a elevação da projeção das taxas não é surpresa: a política de juros permanece como o principal instrumento disponível para conter um processo inflacionário que vem avançando sobre o orçamento das famílias. A transmissão dos efeitos dos ajustes de juros, porém, é lenta — uma variação pequena na taxa demora meses para se refletir no consumo e nos preços praticados.

Entre os fatores que alimentam esse movimento está o conflito no Estreito de Hormuz, apontado como pressionador de custos por concentrar fluxo de petróleo, gás e fertilizantes. A elevação de preços de energia e insumos tem efeito direto sobre transporte, alimentação e produção industrial, ampliando o desafio para a política monetária diante de choques de oferta sucessivos, como pandemia e a guerra Rússia-Ucrânia.

O quadro impõe custos claros: juros mais altos seguram a inflação, mas oneram o serviço da dívida, freiam investimento e comprimem a atividade — efeitos que têm repercussão política. Sem solução rápida para os conflitos que pressionam commodities, a tendência é de manutenção de um regime de taxas elevadas, o que exige resposta administrativa e sinalização crível do governo para estabilidade e responsabilidade fiscal.