Brasília, DF — O mercado brasileiro passou por uma reprecificação intensa após o segundo turno: o Ibovespa acumulou queda superior a 18% na semana seguinte ao pleito, acompanhada pela alta do dólar e pela disparada dos juros futuros. O ponto mais crítico foi na segunda-feira (26), quando o índice recuou quase 14% e acionou o circuit breaker.

Nos pregões seguintes a Bolsa seguiu pressionada, operando na faixa dos 167 mil a 169 mil pontos e devolvendo os ganhos acumulados em outubro. Apesar da correção da última semana, o índice ainda registra valorização de cerca de 4% no ano.

Na outra ponta, exportadoras e empresas ligadas a commodities, como Petrobras e Vale, amorteceram parte do movimento, beneficiadas pelo dólar mais alto e pelo petróleo

A perda de valor de mercado também foi expressiva: entre 23 e 30 de outubro as empresas listadas perderam cerca de R$ 963 bilhões, retração de 16,94% segundo levantamento da Elos Ayta — praticamente anulando os R$ 972 bilhões adicionados entre o fim de 2025 e 23 de outubro.

As maiores quedas atingiram varejo, mercado imobiliário, bancos e small caps, segmentos mais sensíveis ao crédito e aos juros, avalia Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico. "Na outra ponta, exportadoras e empresas ligadas a commodities, como Petrobras e Vale, amorteceram parte do movimento, beneficiadas pelo dólar mais alto e pelo petróleo". O CIO da Sincra, Gustavo Cruz, disse que o ajuste ocorreu em um contexto de posicionamento elevado de investidores em ativos locais.

Analistas dizem que a direção dos mercados dependerá agora de três sinais: a definição do novo ministro da Fazenda e da equipe econômica, a próxima decisão do Banco Central e os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã. Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, resume: "Se o Comitê optar pela manutenção dos juros, isso tende a acalmar os ânimos, pois demonstrará que o Banco Central segue atento ao balanço de riscos"; ela alerta ainda que um corte poderia ser visto como "uma surpresa negativa" e pressionar o Ibovespa.

Se o Comitê optar pela manutenção dos juros, isso tende a acalmar os ânimos, pois demonstrará que o Banco Central segue atento ao balanço de riscos