O mercado financeiro iniciou um novo recalculo de expectativas após o IPCA de março vir mais pressionado do que previsto, acima das estimativas anteriores. A alta de 0,88% no mês e a aceleração da inflação em 12 meses para 4,14% explicam a movimentação: agentes enfatizam que o choque de oferta decorrente da guerra no Oriente Médio elevou custos de commodities e reverberou em preços domésticos sensíveis, como combustíveis e alimentos.
Os componentes que mais chamaram atenção foram transporte e alimentação. Transportes respondeu de forma significativa ao avanço dos preços de combustíveis — gasolina e diesel puxaram boa parte do impacto — enquanto o grupo de alimentos registrou alta além das projeções de casas como o Citi. Além disso, métricas de núcleo acompanhadas pelo mercado sinalizam uma piora: médias móveis e núcleos subjacentes subiram, indicando que a pressão de preços não foi restrita a itens voláteis.
Em suas avaliações, gestoras e bancos passaram a elevar estimativas para o IPCA de 2026 e a prever um ciclo de juros menos agressivo em queda. Relatos de casas como Lifetime, Warren, Santander, XP, Citi e ASA convergem para duas conclusões: revisões altistas das projeções e menor margem para afrouxamento rápido da política monetária. Para o mercado, isso significa que o Banco Central provavelmente adotará ritmo conservador nos cortes da Selic, postergando alívio que muitos agentes aguardavam.
A consequência política e econômica é clara: uma inflação mais disseminada complica a narrativa de desaceleração dos preços e impõe custo político ao governo que aposta em recuperação do poder de compra. No curto prazo, famílias voltam a enfrentar preços mais altos em itens essenciais; no médio prazo, a combinação de choque externo e núcleos resistentes eleva o risco de devolução parcial dos ganhos esperados para atividade e consumo, além de forçar ajustes nas projeções fiscais e nas estratégias de comunicação das autoridades.