O mercado financeiro reduziu a expectativa para a taxa básica de juros ao fim de 2026 para 13,75%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (3). Com a Selic em 14,25%, a aposta majoritária é de corte de 0,25 ponto na decisão do Copom marcada para quarta-feira (5), sinalizando o início de um processo gradual de afrouxamento monetário.
As projeções para a inflação também foram revistas para baixo: o IPCA estimado para este ano caiu para 5,03% (quinta semana seguida de correção descendente), ante 5,12% na semana anterior. Ainda assim, a inflação projetada permanece acima do centro da meta de 3% — cuja banda varia de 1,5% a 4,5% —, o que mantém o comitê em posição de cautela na definição do ritmo de corte.
As expectativas para o crescimento econômico mostram pouco dinamismo: o PIB projetado para este ano ficou em 1,99% (quinta semana consecutiva no mesmo patamar), para 2027 a previsão caiu para 1,57% e para 2028 a estimativa é de alta de 2%. As projeções cambiais se mantiveram em R$ 5,20 para o fim do ano, subindo levemente a R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.
O movimento do mercado traduz um quadro ambíguo: sinais de desaceleração da inflação permitem a expectativa de cortes, mas a inflação ainda acima do centro da meta e o crescimento moderado limitam a margem do Banco Central. Para o setor público e agentes econômicos, taxas mais baixas aliviariam o custo do serviço da dívida e podem estimular consumo e investimento, mas dependem da manutenção de um quadro de inflação controlada — algo que o Focus trata como retrato do momento, não previsão definitiva.