Pela primeira vez desde fevereiro, o mercado revisou para baixo a projeção da inflação em 2026. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe recuo do IPCA esperado para o ano que vem, de 5,33% para 5,30%. A correção é pequena, mas simbólica: confirma que as expectativas começam a oscilar em um patamar ainda superior ao teto da meta (4,5%).

Outros itens do relatório seguiram estáveis. A expectativa para a Selic ficou em 14% para este ano, com 12% e 10,50% projetados para os dois anos seguintes. As estimativas do PIB foram mantidas em 1,99% para 2026; a previsão para 2027 subiu para 1,69% e 2028 permanece em 2%. O câmbio esperadopelo mercado segue em R$ 5,20 no fim deste ano, com R$ 5,28 e R$ 5,35 para 2027 e 2028.

O resultado coloca em evidência uma divergência política e técnica: a secretaria de Política Econômica da Fazenda, Débora Freire, sinalizou a necessidade de revisão da projeção oficial para 2026 por efeitos do El Niño e outros fatores, prevendo que a nova estimativa ficará acima do teto, mas abaixo do número de mercado divulgado na semana passada. A diferença entre as leituras reforça questionamentos sobre coordenação entre governo e analistas privados.

No plano prático, a redução marginal não altera a pressão imediata sobre a política monetária, mas acende um alerta para 2026: inflação acima do teto limita espaço de manobra política e aumenta o custo político de promessas de controle de preços. O próximo trimestre e os impactos climáticos ligados ao El Niño serão monitorados como fatores capazes de ampliar ou reverter a trajetória das expectativas.