O relatório Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda (13), elevou a projeção do IPCA para 2026 em 0,35 ponto percentual, para 4,71%. É a quinta revisão consecutiva para cima desde o início do ano e coloca a inflação esperada acima do teto da meta, num sinal claro de pressão sobre o quadro de ancoragem das expectativas.
O mercado justificou parte do ajuste pelo aumento das incertezas externas, em especial as tensões entre EUA e Irã mencionadas na pesquisa. A própria elaboração do Focus foi fechada na sexta (10), antes do recrudescimento das negociações e de declarações americanas no fim de semana, o que deixa margem para novas revisões caso o cenário internacional piore.
No mesmo boletim, as projeções para o câmbio foram revistas para baixo — R$ 5,37 ao fim do ano e pequenas quedas em 2027 e 2028 — enquanto PIB e Selic para 2026 ficaram estáveis em 1,85% e 12,50%, respectivamente. O contraste entre inflação em alta e Selic inalterada revela que o mercado ainda aposta em manutenção da política monetária, mas reduz a margem de manobra para o governo se houver pressão por respostas fiscais.
O Focus é um retrato do momento, não uma previsão definitiva. Ainda assim, a sequência de aumentos e a ultrapassagem do teto da meta complicam a narrativa oficial e acendem alerta para custos políticos e econômicos maiores: desde necessidade de medidas para conter preços até risco de erosão de confiança se as expectativas não voltarem a se ancorar. A próxima rodada de dados e o desdobrar do conflito internacional serão determinantes.