Os agentes financeiros tratam como praticamente certa a queda de preços em agosto, cenário que favorece um corte de juros pelo Copom em 16 de setembro. As apostas sobre o IPCA deste mês variam, segundo analistas, de uma queda de cerca de 0,2% a recuos superiores a 0,3%. Itens como energia (impactada pelo bônus de Itaipu), transporte — com passagens aéreas e etanol —, alimentos e liquidações no varejo aparecem como os principais responsáveis pela pressão para baixo.

Especialistas ressaltam, porém, que o efeito é em grande parte sazonal e pontual. Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, é preciso 'limpar' o movimento agregado e olhar os núcleos e os serviços com cuidado: se a inflação de serviços desacelerar de forma consistente, o Banco Central terá argumento técnico para reduzir a taxa com mais confiança. Ainda assim, fatores como o mercado de trabalho firme, riscos fiscais e o impacto do El Niño mantêm o Comitê em uma postura de cautela.

Relatórios de mercado já mostram posições distintas. O JP Morgan alerta que a inflação subjacente segue elevada e acima de níveis compatíveis com a meta, enquanto a mediana do Focus aponta um último corte de 0,25 ponto percentual em setembro, projetando a Selic em 13,75% ao ano para o fim de 2026. Kawauti acrescenta que, se o IPCA vier mais benigno do que o esperado, operadores podem acelerar a revisão de apostas antes mesmo de o Copom divulgar seu comunicado.

A desaceleração da atividade — citada por bancos como o Goldman Sachs — facilita um caminho mais suave para cortes, mas também acende um alerta sobre expectativas de longo prazo: a manutenção de núcleos elevados compromete a credibilidade do ajuste e pode transferir o custo para 2027/28. Em resumo, a 'supersexta' dará ao mercado as pistas que faltam; o desafio do Banco Central será diferenciar sinais temporários de tendências reais antes de entregar o próximo movimento na política monetária.