As bolsas europeias encerraram a sessão desta segunda-feira sem direção única, num pregão em que a fraqueza da agenda económica deu espaço a fatores geopolíticos e corporativos. Em Londres, o FTSE 100 perdeu 0,35%, fechando em 10.862,50 pontos; em Frankfurt, o DAX avançou 0,14%, a 26.355,07 pontos. Paris e Milão tiveram leves altas e baixas, refletindo aversão seletiva ao risco.

O subíndice de tecnologia do Stoxx 600 foi o destaque positivo, subindo 1,08%, com ASML em Amsterdã (+1,28%) e Infineon em Frankfurt (+0,78%). Por outro lado, movimentos pontuais pesaram: as ações da construtora britânica Vistry caíram mais de 11% após notícias de corte na cobertura de seguro de crédito pela Allianz Trade, e a Imperial Brands recuou 5,30% ao anunciar planos para cortar milhares de postos de trabalho nos EUA e na Europa.

No centro das atenções está a incerteza sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente — com o Irã mantendo exigências duras para autorizar o tráfego. Com poucos indicadores económicos na pauta, esse risco geopolítico funcionou como motor dos preços e das decisões de portfólio. Paralelamente, episódios políticos regionais, como a restauração de controlos fronteiriços da Espanha em voos e ferryes vindos da Itália, também trouxeram nervosismo setorial.

O quadro importa para investidores e formuladores: a persistência do risco em Ormuz sustenta preços do petróleo e pode alimentar pressões inflacionárias, complicando a leitura das autoridades monetárias. Para empresas, o aumento do custo de seguro e crédito e a volatilidade dos mercados pesam na liquidez e no financiamento. Em resumo, sem um desfecho nas negociações geopolíticas, a tendência é de maior seletividade e volatilidade, exigindo cautela nas alocações.