As bolsas da Europa fecharam sem direção definida nesta segunda-feira, em clima de cautela após a nova escalada de tensão no Oriente Médio, que impulsionou preços do petróleo e reacendeu receios sobre pressões inflacionárias. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,05% a 10.373,20 pontos; em Frankfurt, o DAX recuou 0,47% a 24.641,85; em Paris, o CAC 40 caiu 0,23% a 8.199,29; Milão subiu com o FTSE MIB, +0,63% a 50.208,13. Madri e Lisboa fecharam no vermelho, com o Ibex 35 -0,66% a 18.223,72 e o PSI 20 -0,01% a 8.931,03.
No front corporativo, o setor financeiro italiano ganhou destaque: o Monte dei Paschi avançou cerca de 12% após oferta de aquisição da Intesa Sanpaolo, avaliada em 30,66 bilhões de euros, enquanto a própria Intesa cedeu 1,67%, descontando o custo da operação. A Lufthansa caiu mais de 2% depois de mais um passo na integração da ITA Airways. Entre tecnológicas, papéis ligados à IA performaram bem: a ASML subiu mais de 4% em Amsterdã; a AMD anunciou plano de investir até 2 bilhões de libras no Reino Unido em infraestrutura de IA; já a britânica RELX recuou 0,54%.
O noticiário macro trouxe sinais de fragilidade: as encomendas à indústria alemã registraram queda de 3,8% em abril ante março, muito acima da expectativa de -1%, reforçando dúvidas sobre a resiliência da maior economia da zona do euro. Em paralelo, o BMO Wealth Management interpretou a recente correção das bolsas como um ajuste técnico após semanas de alta, e não como ruptura estrutural do apetite por risco.
No plano monetário, o BCE entra no radar: o Commerzbank projeta que o mercado já trabalha com uma elevação de 25 pontos-base na quinta-feira, e que as atenções estarão na sinalização sobre futuros passos — a instituição estima nova alta apenas em setembro. A combinação de petróleo em alta e sinais de desaquecimento industrial complica a narrativa do banco central e aumenta o risco de volatilidade nos preços de ativos, pressão sobre custos de financiamento e necessidade de calibragem fina na comunicação para evitar um aperto excessivo que prejudique o crescimento.