Os mercados financeiros respiraram nesta sexta-feira após o anúncio do governo iraniano de que a passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz fica liberada durante o restante do cessar‑fogo. A notícia levou a uma queda acentuada nos preços do petróleo — Brent de junho recuou mais de 10%, a cerca de US$ 89 o barril, e o WTI de maio caiu mais de 12%, a cerca de US$ 83 — e a altas expressivas em Wall Street.

O efeito nas bolsas foi imediato: por volta das 13h05 (horário de Brasília) o Dow Jones avançava 2,27%, a 49.683 pontos, recuperando as perdas registradas desde o início do conflito com o Irã; o Nasdaq subia 1,58%, a 24.483 pontos; e o S&P 500 ganhava 1,36%, a 7.137 pontos. Ainda que os preços do petróleo tenham recuado, ambos os referenciais seguem acima dos níveis anteriores à guerra (US$ 73 para o Brent e US$ 67 para o WTI).

A reabertura anunciada por Teerã foi publicada pelo chanceler Seyed Abbas Araghchi e ocorre em sintonia com o cessar‑fogo no Líbano. Mas a interpretação do avanço não é consensual: o presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou a notícia, mas deixou claro que o bloqueio naval norte‑americano continuará em vigor contra o Irã até a conclusão das negociações. A agência estatal Fars advertiu que, se Washington mantiver as restrições, Teerã tratará isso como violação e poderá fechar novamente o estreito.

Do ponto de vista econômico, a combinação de recuo do petróleo e ganhos em ações reduz, ao menos temporariamente, pressões inflacionárias globais e melhora o ânimo de mercados sensíveis a matérias‑primas. Ao mesmo tempo, a condição imposta pelo Irã e a manutenção do bloqueio pelos EUA preservam um componente de risco geopolítico que tende a manter os preços vulneráveis a reviravoltas.

Em suma: a leitura imediata dos números é positiva para ativos de risco, mas a fragilidade do acordo — e a possibilidade de retrocesso caso as exigências não sejam atendidas — impõem cautela. A evolução das negociações e o comportamento do bloco naval americano continuarão a ditar a direção dos preços do petróleo e a influência do tema sobre política monetária e cenários fiscais.