Meta e Amazon anunciaram um acordo multibilionário pelo qual a controladora do Facebook passará a usar dezenas de milhões de núcleos Graviton da AWS para projetos de inteligência artificial. As empresas confirmaram a possibilidade de ampliar a capacidade conforme a Meta desenvolva suas soluções de IA, mas não detalharam os valores envolvidos. Fontes citadas pelo Wall Street Journal colocam a duração do contrato entre três e cinco anos, e a maior parte dos núcleos deverá ficar em data centers nos Estados Unidos. No pré-mercado, as ações da Amazon e da Meta registraram leves altas.
O acordo usa o Graviton5, processador produzido em tecnologia de 3 nanômetros, um salto que tende a oferecer ganhos de eficiência e densidade computacional. Em termos práticos, a solução promete reduzir custos operacionais por unidade de processamento e aumentar a capacidade de treinar e operar modelos maiores sem depender exclusivamente de GPUs tradicionais.
Do ponto de vista estratégico, o negócio mostra tanto vantagem quanto dependência. Para a Meta, garantir grande volume de núcleos na AWS é condição para escalar agentes de IA; para a Amazon, significa consolidar posição como provedor essencial de infraestrutura de nuvem. A falta de transparência sobre os termos financeiros, porém, deixa em aberto o custo real dessa segurança e quanto poder de barganha a AWS terá sobre futuros investimentos da Meta.
O pacto acende sinais sobre concentração de infraestrutura crítica em poucas nuvens e pode reorientar a competição entre provedores de nuvem e fornecedores de chips. Para investidores e reguladores, ficam perguntas sobre competição, preço do serviço e riscos de dependência tecnológica — pontos que tendem a figurar no debate público à medida que a corrida por capacidade de IA se intensifica.