A Meta divulgou resultados fortes no primeiro trimestre de 2026: lucro líquido de US$ 26,8 bilhões e receita de US$ 56,3 bilhões, alta anual de 33% e a maior receita trimestral desde 2021. O lucro ajustado por ação ficou em US$ 10,44, bem acima da estimativa média de analistas, refletindo eficiência operacional e receita publicitária mais robusta do que o mercado esperava.
Ao mesmo tempo, a companhia anunciou uma revisão para cima do gasto de capital: o intervalo foi ampliado em US$ 10 bilhões, para US$ 125 bilhões–US$ 145 bilhões no ano, citando preços mais altos de componentes e custos adicionais de data centers. Em termos práticos, trata-se de um aumento significativo de investimento fixo que pode pressionar fluxo de caixa livre e elevar a necessidade de justificar retorno desses ativos ao mercado.
Outro ponto que chama atenção é a primeira queda trimestral no indicador de pessoas ativas diárias (DAP) desde que a Meta começou a divulgá‑lo. A empresa atribuiu o recuo a interrupções de internet no Irã e a restrições ao WhatsApp na Rússia. Ainda que o impacto pareça geopolítico e pontual, a diminuição do engajamento acende um sinal sobre a resiliência do crescimento de usuários — um componente essencial para sustentar a monetização futura.
Para o trimestre em curso, a Meta projetou vendas de cerca de US$ 59,5 bilhões, em linha com as estimativas do mercado. O balanço mostra, portanto, uma empresa que recupera receita e margem, mas que enfrenta um trade-off: ampliar investimentos massivos em infraestrutura enquanto precisa retomar e sustentar o crescimento de usuários. Para investidores, o desafio será avaliar se o incremento de capex traduzirá ganhos operacionais e expansão de longo prazo, ou se pesará sobre retornos no curto prazo.