A Emarketer projeta que a Meta deverá alcançar US$ 243,46 bilhões em receita líquida de anúncios em 2026, superando os US$ 239,54 bilhões estimados para o Google. O movimento marca uma reconfiguração relevante no mercado publicitário digital, onde velocidade de inovação e capacidade de ofertar inventário eficiente estão ditando ganhos de participação.
Entre os vetores citados pelos analistas está a adoção crescente do pacote de automação Advantage+, que simplifica a montagem de campanhas e tende a elevar o retorno sobre gasto dos anunciantes. A empresa também ampliou a oferta ao testar espaços pagos no WhatsApp e ao monetizar o Threads, além de empurrar o Reels para disputar fatias do mercado de vídeos curtos com TikTok e YouTube Shorts. Para a Emarketer, esse conjunto valida estratégias que vinham sendo testadas pela companhia.
O processo, porém, acentua a concentração: Meta, Google e Amazon devem responder por 62,3% dos gastos com anúncios digitais em 2026. A consequência prática é dupla: os grandes ganham escala e argumentos para cobrar mais eficiência, enquanto plataformas menores, como Snap e Pinterest, ficam mais vulneráveis a cortes de orçamento em períodos de incerteza geopolítica, segundo os analistas. Para anunciantes e veículos, o quadro tende a exigir diversificação de canais e renegociação de modelos comerciais.
Do ponto de vista econômico e regulatório, a maior fatia nas mãos de poucas empresas aumenta o risco de escrutínio por competição e levanta preocupações sobre poder de mercado e transparência de algoritmos. Para além dos números, a projeção da Emarketer é um retrato do momento: consolida vantagem competitiva da Meta, força rivais a responderem com inovação e coloca pressão sobre atores menores para se reinventarem ou se especializarem.