O México informou que enviará um milhão de barris de petróleo bruto ao Japão, anunciou a presidente Claudia Sheinbaum nesta quinta-feira (23). A chefe do Executivo ressaltou que até 1,4 milhão de barris por dia da produção nacional é destinado a refinarias domésticas e que o restante segue para exportação; o país comercializa entre 400 mil e 500 mil barris por dia.

O anúncio sucede reunião com a primeira‑ministra japonesa Sanae Takaichi, em que ambos os governos concordaram em intensificar a cooperação em energia. Takaichi também pediu apoio para criar um ambiente mais favorável às empresas japonesas que atuam no México, em um momento de interrupções na oferta global relacionados ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Em termos práticos, o volume embarcado é equivalente a cerca de 2 a 2,5 dias do fluxo habitual de exportações mexicanas e fica abaixo do consumo diário das refinarias domésticas (1,4 milhão bpd). No curto prazo, o impacto no mercado internacional tende a ser limitado; o gesto tem mais peso político e simbólico do que efeito direto sobre preços.

Politicamente, a operação acende alerta sobre escolhas estratégicas: o governo usa a venda para reforçar a imagem do México como fornecedor confiável e ao mesmo tempo procura atrair investimentos japoneses, mas abre discussão sobre contrapartidas e sobre a necessidade de conciliar exportações com a modernização das refinarias. Para a gestão Sheinbaum, a movimentação melhora o prestígio externo, mas também pode trazer pressão doméstica por resultados concretos na área energética.