Entram em vigor nesta quarta as novas regras do Minha Casa, Minha Vida aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS em março. O principal ajuste eleva o teto de financiamento do programa para R$600 mil, ante R$500 mil, permitindo que famílias com renda de até R$13 mil mensais tenham acesso ao benefício. O movimento, segundo a Caixa, amplia o alcance do programa para uma parcela da chamada classe média alta.

Além do novo limite máximo, houve reajustes nas faixas de renda e nos tetos por faixa: a Faixa 3 — para famílias com renda de até R$9,6 mil — viu o limite do imóvel passar de R$350 mil para R$400 mil (alta de 14%); as Faixas 1 e 2 mantêm teto de R$275 mil. Também houve aumentos modestos nos limites de renda entre R$300 e R$1.000, e queda da taxa de juros para a faixa de menor renda, que agora terá parcelas a 4,5%, beneficiando cerca de 87,9 mil famílias de baixa renda.

As mudanças devem integrar mais de 8 mil famílias de renda média ao programa e provocar efeitos no mercado imobiliário — com potencial para ampliar a demanda por imóveis de maior padrão — e nas contas do FGTS. Tratam‑se de consequências plausíveis: ampliar o teto facilita acesso, mas também pressiona o fundo que subsidia parte do programa, obrigando supervisão sobre sustentabilidade fiscal e critérios de priorização.

A Caixa mantém ferramentas online para simulação de crédito e orienta etapas do pedido de financiamento; imóveis na planta só são elegíveis quando a construtora teve financiamento da Caixa. Para beneficiários e gestores públicos, a medida exige atenção: ampliar cobertura sem compromisso claro de controle de custo pode reduzir eficiência do programa e deslocar recursos de habitação social para consultas de mercado.