O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, afirmou nesta sexta-feira ao programa 'Bom dia, Ministro' da EBC que o fim da escala 6x1 não deve representar aumento de custos para as empresas. A posição busca desacoplar a proposta trabalhista do efeito inflacionário que o setor produtivo vem sinalizando.

Em contraste, levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a redução da jornada pode elevar os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano. O estudo considera dois cenários para manter o nível de horas trabalhadas: pagamento de horas extras aos atuais funcionários ou a contratação de novos trabalhadores — alternativas que, segundo a indústria, tendem a pressionar preços finais.

A divergência entre a avaliação oficial e o diagnóstico do setor põe o governo em posição delicada. Se os custos forem repassados ao consumidor, a medida pode complicar a trajetória da inflação e aumentar a tensão sobre a política monetária. Politicamente, a diferença de percepção amplia desgaste e exige do Executivo uma explicação técnica ou medidas compensatórias para evitar impacto imediato no bolso do eleitor.

Mais do que um debate técnico, a disputa expõe um nó de política econômica: equilibrar demanda por melhores condições de trabalho sem provocar custos que se traduzam em alta de preços. Cabe ao governo demonstrar, com estudos e propostas concretas, como mitigará possíveis efeitos adversos apontados pela indústria, sob pena de ver a pauta transformada em problema econômico e político.