A moeda do Irã registrou nova mínima histórica frente ao dólar, sendo negociada em torno de 1,8 milhão de riais por dólar, segundo relatos da mídia iraniana. Em dois dias, o preço do dólar subiu mais de 23.000 tomans — a unidade de uso corrente no país, em que 1 toman equivale a 10 riais — sinalizando aceleração da pressão cambial.
A perda de valor ocorre em um ambiente geopolítico e comercial adverso: um cessar-fogo instável com Estados Unidos e Israel e o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos restringem o fluxo de petróleo e reduzem receitas em moeda forte. A combinação de choque externo e aperto do comércio eleva a volatilidade das taxas de câmbio.
O episódio agrava um quadro que já era de fragilidade. Dados compilados apontam queda da renda per capita do país, de cerca de US$ 8.000 em 2012 para aproximadamente US$ 5.000 em 2024 — consequência de inflação persistente, corrupção e sanções. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alerta que o conflito pode empurrar mais 4,1 milhões de pessoas para a pobreza.
No plano econômico, a rápida desvalorização tende a elevar custos de importação, alimentar mais inflação e reduzir o poder de compra, ao mesmo tempo em que pressiona reservas internacionais e receitas estatais atreladas ao petróleo. Institucionalmente, o cenário complica a capacidade do governo de estabilizar preços sem recorrer a medidas reputacionalmente e fiscalmente custosas, ampliando o risco de desgaste político e tensão social.