A agência Moody's Local alertou que, em 2025, um número maior de instituições financeiras deve enfrentar dificuldades para cumprir os requisitos mínimos de capital regulatório. A mudança reflete, segundo o instituto, uma deterioração do perfil financeiro sobretudo de bancos de menor porte, fintechs, sociedades de crédito direto e instituições de pagamento.
Entre os vetores apontados estão o custo elevado de captação — que corrói resultados apesar de spreads que ajudam parcialmente — e a concentração de crédito em setores pressionados, como o agronegócio. A combinação de menor diversificação e ambiente de crédito mais desafiador torna entidades com carteiras setoriais mais vulneráveis neste ciclo.
O caso do Banco Digimais ilustra os riscos identificados. A Moody's rebaixou a nota da instituição para 'CCC+.br' e colocou a perspectiva em negativa após registrar deterioração do risco dos ativos e a abertura de investigação da Polícia Federal. A agência, porém, diz que já vinha monitorando o aumento do apetite por risco desde o segundo semestre de 2024.
Um dos sinais mais preocupantes foi a forte exposição a fundos alternativos: dos cerca de R$ 4 bilhões aplicados, aproximadamente R$ 3 bilhões tinham ressalvas do auditor independente — que declarou não ter condição de validar aquele saldo. Com patrimônio estimado entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, o banco ficaria vulnerável a ajustes negativos desses ativos, com risco de impacto severo no patrimônio e, em último caso, insolvência.
A avaliação da Moody's reforça um quadro em que supervisão e disciplina de risco ganham prioridade. Para o setor, a consequência prática pode ser custo de crédito mais alto, pressão por provisões e necessidade de recomposição patrimonial em várias instituições menores. Do ponto de vista regulatório e político, o aumento de casos semelhantes tende a elevar a demanda por medidas de contenção e maior fiscalização.