A Moody's projeta que o Novo Desenrola Brasil, programa do governo para renegociar dívidas das famílias, pode contribuir para a queda da inadimplência e uma normalização gradual da qualidade dos ativos no varejo. A agência, contudo, sinaliza que o efeito sobre os resultados bancários deve ser restrito e não uniforme entre instituições.
O governo estima descontos médios de até 65% e definiu faixas de abatimento entre 30% e 90% para dívidas contraídas até 31 de janeiro — incluindo cheque especial, rotativo e parcelado de cartão e crédito pessoal sem consignação — para quem recebe até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Para viabilizar os descontos, o FGO oferecerá garantias que podem atingir R$ 15 bilhões; as renegociações ocorrerão em plataformas dos bancos participantes dentro de 90 dias.
Para a Moody's, a diferença essencial está na elegibilidade e no comportamento pós-acordo: o ganho para os bancos dependerá tanto da parcela de devedores aptos a aderir quanto do surgimento de um fluxo de pagamentos sustentado após a renegociação. Em outras palavras, redução de saldo em atraso não se traduz automaticamente em retomada robusta de receitas ou recuperação homogênea da carteira.
Do ponto de vista fiscal e político, o programa cria um trade-off claro: alívio para famílias endividadas e potencial melhoria de indicadores de crédito versus exposição do Tesouro por meio das garantias do FGO e custo para o sistema financeiro. O governo busca responder ao endividamento recorde das famílias — 49,9% em fevereiro, segundo o BC —, mas a eficácia da medida exigirá acompanhamento das taxas de adesão, da participação dos bancos e do comportamento de pagamento ao longo do tempo.