O IBGE divulgou nesta sexta-feira a Pnad Contínua 2025 sobre características gerais dos domicílios. Em uma década (2016–2025) o total de moradias subiu de 66,6 milhões para 79,3 milhões. No mesmo período houve mudança na forma como os brasileiros ocupam esses espaços: a parcela de domicílios já quitados recuou de 66,8% para 60,2%, ao passo que a participação de moradias em aluguel subiu de 18,4% para 24,0%. A proporção de imóveis ainda sendo pagos passou de 6,2% para 6,8% e as moradias cedidas representaram 8,5% em 2016 e 8,9% em 2025.
O perfil físico das moradias também mudou. A fatia de apartamentos na distribuição geral passou de 13,7% para 17,1%, enquanto as casas caíram de 86,1% para 82,5%, um movimento de verticalização que acompanha dinamismo urbano e oferta de unidades menores. A distribuição regional pouco se alterou: o Sudeste segue à frente (42,9% em 2025, ante 43,9% em 2016) e o Norte mantém a menor participação, chegando a 7,5% — alta discreta de 0,3 ponto percentual em dez anos.
Os números trazem implicações objetivas. O aumento da locação e a queda relativa dos imóveis quitados acendem alerta para a pressão sobre preços de aluguel, demanda por políticas de aluguel social e por instrumentos que incentivem a oferta privada sem perder de vista eficiência fiscal. Para gestores públicos, o dado sinaliza necessidade de articular medidas que aliviem o custo da moradia — seja por oferta, regulação do mercado locatício ou crédito responsável — sem ampliar de forma insustentável o gasto público. No campo econômico, a expansão dos apartamentos indica mudança na composição da oferta, com efeitos sobre preços, financiamento e infraestrutura urbana.
Em suma, a Pnad Contínua mostra um mercado habitacional em transformação: mais domicílios, mais locação e moradias mais verticais. Isso complica a narrativa de recuperação fácil do acesso à casa própria e pressiona governos a combinar responsabilidade fiscal com políticas habitacionais eficazes — um desafio para a administração pública e para o setor privado nas próximas gestões.