O braço de incorporação da MRV&Co terminou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 133 milhões, alta de 640,4% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda foi de R$ 476 milhões, aumento de 38,5%, e a receita operacional líquida somou R$ 2,562 bilhões, crescimento de 17,6% — números que atestam recuperação operacional no curto prazo.
A empresa destacou que a geração de caixa de R$ 392 milhões no trimestre foi influenciada pela venda de ativos da Resia, parte do plano de desalavancagem, e pelas operações de incorporação no Brasil. Nos EUA, a subsidiária vendeu o empreendimento Tributary por US$ 73,3 milhões e dois terrenos por US$ 18,3 milhões, operações que ajudaram a reforçar liquidez.
Executivos afirmam que a dinâmica de margens vem melhorando à medida que safras de vendas mais recentes, com preços superiores, ganham peso nos resultados. A companhia também apontou o momento favorável do programa habitacional federal, cujas alterações nas regras ampliaram o poder de compra de famílias e contribuíram para a demanda no segmento econômico.
A leitura crítica é que parte do avanço reflete itens pontuais — desinvestimentos e um contexto regulatório favorável — e não apenas ganho recorrente de eficiência. A existência de estoque extra (cerca de 5 mil unidades a mais que as vendidas em 2025) funciona como proteção contra alta de custos, mas também pressiona a necessidade de sustentar ritmo de vendas. Para investidores e formuladores de política, a mensagem é dupla: a MRV mostra recuperação e caixa, mas a continuidade do desempenho depende da manutenção das condições de mercado e da execução sem recorrer sempre a vendas de ativos.