A MRV Incorporação registrou lucro líquido de R$ 133 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 640,4% sobre o mesmo período do ano anterior. A companhia também reportou Ebitda de R$ 476 milhões (alta de 38,5%) e receita operacional líquida de R$ 2,562 bilhões, consolidando o melhor trimestre recente do grupo.
A empresa atribui o desempenho a três vetores: o aquecimento do programa Minha Casa Minha Vida, a maturação de safras de vendas com margens superiores e a estratégia de desalavancagem via venda de ativos da subsidiária norte-americana Resia. A venda de três ativos nos EUA gerou cerca de US$ 91,6 milhões e contribuiu para a geração de caixa de R$ 392 milhões no trimestre.
Do ponto de vista financeiro, a combinação entre impulso do MCMV e receitas extraordinárias por alienação de ativos entregou alívio ao balanço e margem de manobra para a MRV. A empresa também ressalta um estoque estratégico de unidades produzido acima do volume vendido em 2025, usado como proteção contra pressões inflacionárias nos custos.
Ainda que o quadro mostre recuperação operacional e melhoria de caixa, o desempenho reforça a exposição do maior construtor da América Latina a políticas públicas habitacionais. Parte importante do ganho recente está atrelada a fatores regulatórios e vendas pontuais de ativos — elementos que exigem atenção dos investidores quanto à sustentabilidade do crescimento e à necessidade contínua de desalavancagem.