A proposta de revisar a escala de trabalho 6x1 entrou na agenda do Congresso em meio a três frentes distintas e reclamações do setor produtivo. O governo oferece uma alternativa moderada — transição para 5x2 com jornada de 40 horas semanais e período de adaptação de 360 dias — enquanto projetos de deputados propõem arranjos mais curtos, como o 4x3. A discussão segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois a uma Comissão Especial, onde detalhes sensíveis serão confrontados.
Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetam que uma redução mais drástica para 36 horas semanais poderia tirar mais de R$ 70 bilhões do PIB, um número que, se confirmado, reforça o argumento de que a mudança tem impacto macroeconômico significativo. A indústria alerta para perda de competitividade em um setor já pressionado, potencial risco de desindustrialização e necessidade de ajustes na cadeia produtiva que podem elevar preços e reduzir margens.
Setores de serviços e infraestrutura também sinalizam custos relevantes. Bares e restaurantes admitem apoiar redução de carga horária, mas destacam que a mudança de escala exigirá contratações extras para cobrir finais de semana, sem mecanismo claro de compensação salarial. Na construção civil, fontes do setor apontam que obrigações a fim de semana por logística urbana poderiam encarecer obras em até 20% e alongar prazos, afetando projetos públicos e privados.
Politicamente, o tema complica a narrativa do governo: dar compensações para amenizar impactos elevaria o custo fiscal e contraria a estratégia de reduzir renúncias, enquanto optar por não compensar amplia resistência de setores produtivos. Empresários ouvidos dizem preferir a proposta mais moderada (40 horas), que reduziria o choque econômico. A votação na CCJ e o debate na Comissão Especial serão decisivos para calibrar custos, custos políticos e a viabilidade de um ajuste que não penalize ainda mais a competitividade brasileira.