Levantamento do Datafolha feito nos dias 8 e 9 de abril mostra diferença expressiva na experiência financeira entre gêneros. Quatro em cada dez brasileiros dizem sentir-se mal em relação às finanças; entre as mulheres há maior presença nas faixas de menor renda: 75% recebem até dois salários mínimos, contra 64% dos homens. Na faixa de cinco salários mínimos, apenas 2% das mulheres se encontram ali, ante 6% dos homens.
O estudo também aponta maior exposição das mulheres a problemas de crédito e à consequência psicológica dessa vulnerabilidade: 36% das entrevistadas têm nome negativado (30% entre homens) e 42% dizem que a situação financeira afeta sua saúde mental, frente a 28% dos homens. Esses números convergem com levantamentos recentes do mercado: a Anbima indica que 31% dos brasileiros não têm reserva financeira e só 3% têm poupança para cinco anos ou mais.
O quadro macro agrava o risco doméstico: o Banco Central registrou endividamento familiar de 49,9% — patamar recorde — e o comprometimento da renda para pagar dívidas alcançou o nível mais alto desde 2005. A combinação de salários concentrados nas faixas baixas, baixa poupança e mais negativação cria uma base frágil que pode pressionar gastos sociais e limitar resposta a choques econômicos.
Do ponto de vista político e administrativo, os números acendem alerta para políticas públicas direcionadas e medidas de inclusão financeira específicas para mulheres, assim como para iniciativas que diminuam custos e aumentem eficiência na oferta de crédito responsável. A pesquisa entrevistou 2.002 pessoas em 117 municípios; a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos (nível de confiança de 95%).