Os Estados Unidos aplicaram duas sobretaxas — uma de 25% em razão de alegadas práticas desleais e outra de 12,5% por suposto fracasso no combate ao trabalho forçado — que, juntas, atingem aproximadamente 16,5% das exportações brasileiras para aquele mercado. Na prática, essa fatia fica sujeita a uma alíquota adicional combinada de 37,5% para entrar nos EUA. A Amcham destaca segmentos como madeira, máquinas e equipamentos, gorduras vegetal e animal e armas entre os mais afetados.
Um cruzamento dos dados da Amcham com a balança comercial do MDIC, feito pelo CNN Money, indica que os municípios de Piracicaba (SP) e Serra (ES) devem sentir o impacto de forma mais concentrada. A concentração geográfica das cadeias produtivas torna esses polos mais vulneráveis a perda de competitividade, pressão sobre faturamento de empresas locais e riscos para fornecedores e logística regional.
Ao mesmo tempo, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os EUA permaneceram fora das sobretaxas e seguem sujeitas apenas às tarifas ordinárias — entre elas, café, carnes, ferro fundido, suco de laranja e frutas. No primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras aos EUA somaram US$ 17,4 bilhões, recuo de 13% ante igual período do ano anterior. O MDIC atribui boa parte desse desempenho à queda de 30,4% nos embarques de óleos brutos de petróleo e aponta um ambiente de crescente incerteza na política comercial norte-americana.
A combinação entre medidas tarifárias norte-americanas e retração nas commodities eleva o custo político e econômico para o Brasil. O episódio acende um alerta para o governo: há necessidade de medidas de resposta comercial, diversificação de mercados e apoio focalizado às áreas mais afetadas. Para setores e municípios exportadores, a prioridade será mitigar perdas imediatas e recompor competitividade diante de um cenário externo mais protecionista.