O bilionário Elon Musk voltou a afirmar no tribunal de Oakland que foi enganado pela equipe da OpenAI ao ver a organização original, criada sem fins lucrativos, deslocar-se rumo a uma estrutura que prioriza retorno financeiro. O segundo dia de depoimento centrou-se em trocas de e-mails antigas entre Musk, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman, que estavam presentes em audiência marcada por momentos de tensão entre as defesas.

Os advogados de Musk apresentaram mensagens que, segundo o depoente, comprovam o descumprimento dos compromissos iniciais e a intenção de concentrar participação acionária na nova estrutura. Musk também relatou ter condicionado financiamento e afirmado ter tentado garantir controles, mandando seu escritório familiar registrar uma empresa de benefício público como alternativa caso fosse preciso — uma medida que, na sua avaliação, evidenciaria o desvio do propósito original.

Do outro lado, a defesa da OpenAI disse que o processo visa enfraquecer a empresa como concorrente da xAI, de Musk, e questionou se a ideia de buscar lucro não teria origem no próprio bilionário. O interrogatório foi marcado por perguntas diretas do advogado William Savitt sobre contribuições financeiras de Musk e pela exigência de respostas objetivas; o depoente retorna ao banco das testemunhas para o terceiro dia de audiência.

Além da disputa jurídica, o caso tem implicações econômicas concretas: o litígio e a exposição pública de divergências internas coincidem com planos de potencial IPO da OpenAI, fator que pode influenciar avaliação, confiança de investidores e o escrutínio regulatório sobre governança. Para o mercado, a narrativa aberta em tribunal levanta questões sobre alinhamento de interesses, transparência e o custo reputacional de uma transição estratégica que, segundo o autor da ação, alterou a missão fundadora.