Promotores de Paris convocaram, nesta segunda-feira, 20, Elon Musk para prestar depoimento em uma investigação que apura a disseminação de material de abuso sexual infantil e de publicações manipuladas por inteligência artificial (deepfakes) na rede social X, antiga Twitter. A chamada foi feita na forma de "entrevista voluntária" e atinge também Linda Yaccarino, ex-presidente da plataforma.
O caso, aberto em janeiro de 2025, prevê oitiva de outros funcionários da empresa ao longo da semana, que devem compor o quadro de testemunhas solicitado pelos investigadores franceses. Ainda não há confirmação pública sobre se Musk ou Yaccarino viajarão a Paris para atender à convocação. As autoridades buscam esclarecimentos sobre moderação, remoção de conteúdo e eventuais falhas operacionais da rede.
Do ponto de vista econômico e institucional, a investigação muda o foco do debate: deixa de ser apenas uma questão interna de plataforma para se transformar em risco regulatório concreto na Europa. Episódios envolvendo conteúdo ilícito e deepfakes pressionam autoridades a exigir maior governança e podem elevar custos de conformidade para a empresa, além de gerar impacto reputacional que atinge usuários e anunciantes.
A convocação também amplia o desgaste sobre a gestão da plataforma e sobre o próprio dono, que continua a somar títulos empresariais com forte visibilidade pública. Mesmo sem desfecho imediato, o episódio reforça a necessidade de respostas claras sobre políticas de moderação e transparência, elementos centrais para reduzir o risco de sanções e restabelecer confiança em mercados sensíveis à proteção de dados e segurança infantil.
Em termos práticos, a repercussão será acompanhada por investidores, reguladores e anunciantes: o enquadramento jurídico que sair de Paris pode servir de precedente para outras jurisdições. Para o Brasil, e para economias com grande base de usuários, o caso sinaliza que plataformas globais enfrentam custosas exigências regulatórias quando falham na contenção de conteúdo ilícito.