Relatório da Oxfam revela que a fortuna de Elon Musk cresceu, na média, um milhão de dólares por minuto ao longo do último ano — um salto associado em grande parte à valorização de seus ativos e ao IPO da SpaceX, marcado para esta quinta‑feira. A oferta pretende captar até US$ 75 bilhões e fixou o preço inicial em US$ 135 por ação para 555,6 milhões de papéis, avaliando a companhia em cerca de US$ 1,77 trilhão.

Se confirmado esse valuation, a participação de Musk na SpaceX poderia somar cerca de US$ 841 bilhões; combinada à fatia na Tesla, o patrimônio do empreendedor chegaria à casa de US$ 1 trilhão, segundo a estimativa levantada pela entidade. A Oxfam destaca que um imposto único de 10% sobre esse montante bastaria para eliminar a pobreza extrema global por um ano — uma comparação que coloca em foco a magnitude da concentração de riqueza.

Além do aspecto redistributivo, o movimento tem implicações institucionais e de mercado. A estrutura do IPO, com preço‑alvo fixo e ações com poder de voto especial, preserva o controle de Musk — ele manteria cerca de 82,4% do poder de voto após a oferta —, o que levanta questões sobre governança e influência na direção estratégica de ativos com impacto global, como a Starlink.

Para investidores, a operação aparece como a maior da história recente, superando ofertas anteriores, e chega num momento de apetite por tecnologia e inteligência artificial. No campo político, os números reavivam o debate sobre impostos sobre fortunas e responsabilidade social das grandes fortunas, além de acender um alerta sobre os riscos de concentração econômica que têm efeitos diretos sobre políticas públicas e coesão social. No Brasil, o lançamento também será acessível via BDRs na B3, com paridade de 1:15, o que facilita a participação de investidores locais.