Um júri federal em Oakland, Califórnia, decidiu por unanimidade nesta segunda-feira que a ação movida por Elon Musk contra a OpenAI estava prescrita, encerrando uma disputa que colocou em risco a estrutura societária da empresa. O veredito ocorreu após 11 dias de audiência e menos de duas horas de deliberação do júri.

No processo de 2024, Musk alegou ter sido manipulado para doar US$ 38 milhões e acusou executivos da OpenAI, entre eles Sam Altman e Greg Brockman, de desviarem a organização da missão original sem fins lucrativos ao criar um braço com fins lucrativos. A OpenAI rebateu que as doações não obrigavam a manutenção do modelo sem fins lucrativos e que Musk deixou o conselho em 2018 após tentativas de obter controle.

A juíza Yvonne Gonzalez Rogers afirmou que o prazo de prescrição era um fato relevante, e o advogado de Musk informou que poderá recorrer, embora a magistrada tenha sinalizado dificuldade nesse caminho. O julgamento expôs divergências sobre prioridades — segurança e benefício público versus atração de capital — e colocou em xeque a credibilidade das partes durante as contestações.

Do ponto de vista econômico, o desfecho reduz um risco jurídico imediato para a OpenAI e, por extensão, mitiga uma ameaça à sua trajetória rumo a um possível IPO avaliado em até US$ 1 trilhão. Para Musk, além do revés judicial, a perda fragiliza uma estratégia que buscava reverter decisões corporativas e obter compensações bilionárias. O caso também reacende o debate sobre governança de empresas de IA e os limites entre missão pública e interesses de investidores.