A Natura registrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 35 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 92,1% ante os R$ 446 milhões do mesmo período de 2025. A receita líquida ficou em R$ 5,17 bilhões, recuo de 9,1% na comparação anual; a empresa atribuiu o desempenho ao ambiente de consumo fraco e a desafios e ajustes operacionais que afetaram as vendas das marcas Natura e Avon no Brasil.
O Ebitda totalizou R$ 620 milhões no trimestre, redução de 5,9% em relação ao ano anterior, mas a margem Ebitda subiu ligeiramente para 12,0% (alta de 0,4 ponto percentual). O resultado financeiro virou para um prejuízo de R$ 297 milhões, ante R$ 23 milhões positivos no 2º tri/2025, enquanto o fluxo de caixa livre para a firma somou R$ 342 milhões entre abril e junho.
Os investimentos caíram: o capex foi de R$ 49 milhões, queda de 52% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A dívida líquida encerrou junho em R$ 3,86 bilhões, abaixo dos R$ 4,042 bilhões do trimestre anterior, e a alavancagem ajustou-se de 2,12x para 2,06x. Os números mostram redução de alavancagem, mas também menor dinamismo de receita e maior pressão no resultado financeiro.
O quadro exige resposta da administração: a combinação de queda de vendas e custos financeiros mais altos pressiona a margem de manobra para investimentos e crescimento. A melhora marginal da margem Ebitda sugere ganho de eficiência, porém a magnitude da retração do lucro e a necessidade de recuperação das marcas obrigam a uma estratégia clara de retomada comercial e disciplina fiscal para reassurar investidores.