As ações da Natura oscilaram nesta terça-feira após a divulgação do balanço do 1º trimestre, refletindo leitura mais negativa do mercado sobre a retomada da companhia. Os papéis chegaram a cair mais de 6% na abertura e, por volta das 10h40, registravam queda de 1,5%, enquanto o Ibovespa recuava 0,24%. O resultado mostrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões, frente a R$ 152 milhões no mesmo período do ano anterior.

O desempenho operacional também decepcionou: o Ebitda recorrente foi de R$ 346 milhões, retração de 55,7% ano a ano, e a receita líquida caiu 7,7%, para R$ 4,75 bilhões. A combinação de menores vendas e o aumento de gastos com reestruturação reduziu a capacidade de geração de caixa em um momento em que investidores esperam sinais claros de eficiência e retorno.

Em teleconferência com analistas, a diretoria reconheceu que o trimestre foi desafiador, ainda que, segundo a empresa, alinhado às expectativas internas. A gestão alertou para o risco de turbulência operacional associada à migração do sistema de gestão em junho — um evento que, se mal executado, pode amplificar perdas já registradas. A CFO informou que os efeitos do corte de funcionários devem começar a aparecer no segundo trimestre e só serão integralmente capturados no segundo semestre.

O quadro atual amplia desgaste sobre a narrativa de recuperação: com Ebitda em forte queda e a possibilidade de interrupções operacionais, a Natura precisará demonstrar execução rápida das medidas de corte de custos e cuidadosa transição de sistemas para recuperar confiança dos investidores. Do ponto de vista mercado, o desafio agora é converter a reestruturação em resultado financeiro palpável sem sacrificar a operação — falhas nesse caminho podem prolongar a pressão sobre o papel e limitar a capacidade de financiamento a custos mais vantajosos.