A Netflix anunciou lucro líquido de US$ 5,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 83% ante o mesmo período de 2025, com lucro por ação diluído de US$ 1,23 — bem acima das estimativas da FactSet de US$ 0,76. A receita ficou em US$ 12,25 bilhões, 16,2% maior na comparação anual e também levemente acima do consenso, de US$ 12,17 bilhões.
A companhia atribuiu o desempenho a um lucro operacional acima do previsto e à contabilização de uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões ligada à transação com a Warner Bros. A empresa ressaltou que a Warner poderia ter acelerado a estratégia, mas apenas a preço adequado — uma guerra de lances que acabou vencida pela Paramount.
O alívio dos números foi ofuscado por um guidance considerado conservador para o segundo trimestre: a Netflix projeta US$ 0,78 por ação em ganhos e receita de US$ 12,57 bilhões, diante de expectativa de mercado de US$ 0,84 e US$ 12,64 bilhões. A empresa manteve a orientação anual, explicando que a baixa lucratividade esperada para o trimestre decorre da concentração dos cronogramas de amortização de conteúdo em 2026, com margens previstas para se fortalecerem na segunda metade do ano. As ações caíram quase 9% no after-hours em Nova York.
Além do balanço, a carta aos acionistas trouxe novidade na governança: Reed Hastings, cofundador e atual presidente do conselho, não disputará a reeleição quando seu mandato expirar em junho. Hastings disse que a Netflix mudou sua vida e recordou a expansão do serviço em janeiro de 2016 como momento marcante. No conjunto, os resultados mostram solidez operacional, mas o guidance e a transição no conselho alimentam dúvidas sobre o ritmo de rentabilidade no curto prazo e sobre a percepção de risco entre investidores.