Mais de 200 pesquisadores e economistas, entre eles 15 laureados com o Prêmio Nobel e estudiosos vinculados a centros de pesquisa de empresas como OpenAI, Anthropic e Google, divulgaram uma declaração conjunta nesta segunda-feira pedindo medidas imediatas para lidar com os efeitos econômicos da inteligência artificial. O documento alerta que a IA pode provocar uma transformação econômica mais profunda do que a Revolução Industrial, mas em um horizonte de tempo muito mais curto, o que exige respostas políticas ágeis.

O texto solicita pesquisas aprofundadas sobre os impactos sobre empregos e produtividade e a construção de instituições e políticas capazes de distribuir benefícios e reduzir riscos — inclusive a possibilidade de perda de empregos em grande escala. Entre os signatários estão nomes conhecidos do mundo acadêmico e da indústria, como Anton Korinek, Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Tom Cunningham, Sarah Friar (OpenAI), Jeff Dean (Google DeepMind), Jack Clark (Anthropic) e laureados como Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson.

A natureza do apelo reflete dois desafios práticos para governos: primeiro, a necessidade de antecipar e financiar políticas de formação e redes de proteção social; segundo, a demanda por regulação e arquitetura institucional que equilibre incentivo à inovação com mitigação de concentração de renda e riscos sistêmicos. Do ponto de vista fiscal, medidas como programas de requalificação em larga escala, seguro-desemprego ampliado ou mecanismos de redistribuição vinculados aos ganhos de produtividade implicariam custo e escolha orçamentária explícita.

Politicamente, a declaração amplia o sinal de alerta para executivos e legisladores: ignorar o prazo acelerado de adaptação pode custar suporte público e abrir espaço para respostas fragmentadas que aumentem incerteza econômica. A exigência por evidências robustas e por instituições dedicadas ao tema aponta para uma agenda que passa pela pesquisa, por acordos internacionais e por decisões domésticas — um campo que exigirá coordenação entre o Estado, o Legislativo e o setor privado, sob risco de aprofundar desigualdades e tensão social.