Em entrevista ao programa Capital Insights, do CNN Money, o economista e Nobel Christopher Pissarides afirmou que a inteligência artificial permanece sob controle humano e que não prevê um desemprego em massa. Para ele, a tecnologia pode até valorizar o capital humano ao automatizar tarefas repetitivas e liberar espaço para atividades mais complexas.

Pissarides relacionou a atual onda de automação a revoluções tecnológicas anteriores — eletricidade e automóvel — que extinguiram ocupações, mas criaram novas funções. Nesse cenário, as chamadas soft skills, como criatividade, empatia e capacidade de adaptação, tendem a se tornar ativos mais escassos e valiosos, especialmente em setores como cuidados de saúde, hospitalidade e entretenimento.

A declaração traz clareza técnica, mas abre um nó político: a adaptação do mercado exige investimentos em formação contínua, certificações e parcerias com o setor privado. Para um país com restrições fiscais, a prioridade deve ser eficiência — programas direcionados, avaliação de resultados e integração com demandas reais do mercado — evitando gastos generalizados que não aumentem a produtividade.

Do ponto de vista político e econômico, o recado de Pissarides amplia a pressão sobre governos: ou há uma estratégia de qualificação e modernização laboral, ou o país corre o risco de perder competitividade. A agenda administrativa precisa combinar responsabilidade fiscal e reformas que facilitem a transição profissional, transformando o desafio tecnológico em oportunidade.