Ana Cristina Silveira assumiu a presidência do INSS nesta semana e colocou como prioridade recuperar a confiança dos segurados. Em entrevista à EBC, a servidora de carreira afirmou que o volume de processos em atraso é bem menor do que o número divulgado amplamente — uma leitura que surge após a saída do ex-presidente Gilberto Waller, pressionado pela grande fila de pedidos.
Os dados oficiais citam 2,7 milhões de pedidos em espera. A nova presidente propõe uma recomposição desse estoque ao subtrair 1,3 milhão de pedidos novos que entram mensalmente e cerca de 500 mil processos que dependem de ação dos próprios segurados. Na avaliação dela, o “estoque” efetivo de requerimentos atrasados ficaria, assim, abaixo de 1 milhão.
Para acelerar concessões, Silveira anunciou reuniões semanais com a área de tecnologia, melhorias no aplicativo Meu INSS e ferramentas para otimizar o trabalho dos servidores. O órgão também destaca que os mutirões de fim de semana registraram 130 mil atendimentos em 2026. São medidas operacionais relevantes, mas insuficientes se não vierem acompanhadas de metas mensuráveis e transparência sobre metodologia de contagem.
Politicamente, a redefinição do tamanho da fila alivia parte da pressão sobre a gestão do INSS, mas cria uma obrigação: demonstrar resultados rápidos. Sem indicadores públicos e prazos consistentes, a nova narrativa pode ser percebida como contagem técnica que não resolve a espera real de beneficiários — mantendo o custo social e o risco de renovada contestação institucional.