A Novartis divulgou lucro líquido de US$ 3,26 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 19% na comparação anual, mas com lucro ajustado por ação em US$ 2,41 — bem acima das projeções da FactSet, de US$ 1,76. A receita líquida avançou 3%, para US$ 14,41 bilhões, superando estimativas conservadoras do mercado.
O crescimento foi concentrado em um punhado de medicamentos: Kisqali cresceu 43%, Kesimpta 32%, Scemblix 89%, Pluvicto 43% e Leqvio 59%. Esses desempenhos compensaram, segundo a empresa, a pressão de concorrentes genéricos sobre produtos que perderam proteção de patente, como Entresto, Promacta e Tasigna.
A companhia reafirmou suas previsões para 2026 — expectativa de crescimento em um dígito baixo da receita e recuo em um dígito baixo do lucro operacional ajustado — e atribuiu o cenário ao persistente 'patent cliff'. O CEO Vas Narasimhan destacou o retorno ao crescimento de vendas e o avanço do pipeline como justificativas para manter as metas de médio prazo. As ações subiram 2,9% em Zurique por volta das 7h55 (de Brasília).
Do ponto de vista acionário e operacional, o balanço mostra resiliência, mas também vulnerabilidade: o desempenho depende fortemente de poucos blockbusters e da capacidade da empresa de transformar o pipeline em lançamentos comerciais. O reconhecimento do impacto das perdas de exclusividade mantém a sinalização de cautela — resultados sólidos no trimestre não eliminam a necessidade de novos produtos e disciplina de custos para sustentar a rentabilidade.