A possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros preocupa a indústria. A Fiemg alerta que a combinação de medidas — uma sobretaxa de 25% sob a Seção 301 e uma tarifa adicional de 12,5% ligada a alegações de trabalho forçado — pode atingir, em conjunto, até 37,5% sobre itens selecionados. A decisão do USTR será anunciada até esta quarta-feira (15).
Na avaliação da federação mineira, essa diferença tarifária tende a reduzir a competitividade de matérias‑primas e insumos brasileiros no mercado americano e a abrir espaço para que importadores substituam fornecedores nacionais por rivais internacionais. O impacto é mais agudo em ferro‑gusa, insumos agroindustriais, sebo e produtos de madeira, setores nos quais contratos e cadeias de fornecimento são sensíveis a custos adicionais.
Competidores como Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia disputam os mesmos compradores e podem receber tratamento tarifário distinto, o que aumentaria a desvantagem do Brasil — o levantamento da Fiemg indica que o ferro‑gusa ucraniano, por exemplo, poderia ter vantagem de até 37,5 pontos percentuais sobre o brasileiro. A consequência prática é pressão por redução de preços, renegociação de contratos e perda de espaço em mercados estratégicos.
Diante do cenário iminente, a Fiemg defende intensificar negociações bilaterais, ampliar exceções e exigir regras claras sobre aplicação das tarifas. Para a indústria, trata‑se de um alerta econômico: sem resposta diplomática e comercial rápida, empresas brasileiras correm o risco de ver encarecer suas exportações e perder clientes em um mercado importante para matérias‑primas e insumos.