A elevação da Selic para 14,5% reavivou o apelo da renda fixa: os números nominais voltaram a ficar atraentes após meses de cenário mais brando. Mas especialistas ouvidos pelo programa Resenha do Dinheiro alertam que olhar apenas para a rentabilidade bruta cria falsa sensação de segurança. Impostos, inflação, liquidez e risco de crédito são variáveis decisivas para medir o ganho real do investidor.
Em comparação prática, a diferença é evidente. A poupança rende pouco mais de 3% ao ano; o Tesouro Selic aparece perto de 6,7%; CDBs de bancos médios chegam a 8,4%; LCAs registram cerca de 8,8% e debêntures incentivadas podem aproximar-se de 11%. Esses números, porém, vêm acompanhados de perfis de risco distintos: quanto maior o retorno anunciável, maior a exposição ao risco de crédito e à volatilidade de preços.
O alerta de quem acompanha o varejo financeiro é para a dificuldade do investidor médio em avaliar a rentabilidade líquida. Produtos isentos de imposto, como LCI e LCA, nem sempre superam opções tributadas quando se olha o resultado após deduções e ajustado pela inflação. Além disso, prazos e liquidez influenciam a utilidade dessas aplicações para objetivos como reserva de emergência ou construção de patrimônio.
A recomendação recorrente é combinar visão de longo prazo com diversificação e disciplina. Investir, dizem os consultores, não é buscar o maior número absoluto, mas preservar e ampliar o poder de compra. No atual ciclo de juros, há oportunidades — sobretudo para quem abandona a poupança —, mas elas exigem leitura cuidadosa de risco, horizonte e custos. Sem isso, a ilusão do rendimento alto pode se transformar em perda de poder aquisitivo.