A OCDE afirmou nesta quinta-feira em Delfos que, no cenário básico considerado pelo órgão, não há risco de uma nova estagflação decorrente da guerra no Oriente Médio. O secretário-geral Mathias Cormann destacou que a inflação atual tem origem, sobretudo, em um choque de oferta nos preços da energia, e não em uma expansão excessiva da demanda.

O alerta ocorre no contexto do bloqueio do Estreito de Ormuz e da alta das cotações do petróleo, que reacenderam temores sobre custos energéticos e pressões inflacionárias. Mesmo assim, a organização salientou que a economia global ainda apresenta fontes de força capazes de sustentar crescimento, o que reduz a probabilidade de um cenário simultâneo de estagnação com inflação e desemprego elevados.

Na prática, porém, a distinção técnica não elimina efeitos reais. Choques de oferta em energia tendem a aumentar os preços ao consumidor, corroer renda disponível e complicar contas públicas se forem necessárias medidas compensatórias. Para países como o Brasil, a alta do petróleo e do gás tem transmissão via combustíveis e câmbio, pressionando a inflação e exigindo respostas coordenadas de política monetária e fiscal.

A avaliação da OCDE é um retrato do momento, não uma garantia permanente. Autoridades e mercados devem acompanhar evolução dos preços e a duração do choque: se persistir, as consequências políticas e econômicas podem se acentuar, impondo custos fiscais e gerando pressão sobre a agenda de ajuste e a capacidade do governo de proteger a população sem abandonar responsabilidade fiscal.