A Oi, em recuperação judicial, assinou contrato com a Método Telecomunicações e Comércio para a alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Oi Serviços Telefônicos. A proposta vencedora foi de R$ 60,1 milhões e o acordo foi celebrado na sexta-feira (10), segundo comunicado divulgado pela companhia no sábado (11). A empresa afirma que os recursos são essenciais para mitigar o risco de paralisação das atividades já apontado para o mês seguinte.
A UPI negociada engloba a prestação de serviços telefônicos fixos comutados (STFC), serviços de tridígito, infraestrutura de torres, manutenção de telefones de uso público, além da base de clientes e dos contratos de trabalho e com fornecedores vinculados à unidade. A transação envolve transferência da totalidade das ações da UPI para a Método, mas a efetivação depende de condições previstas no contrato.
Entre as condições precedentes estão a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Esse ponto transforma a operação em alvo de duas frentes: exame concorrencial e fiscalização sobre continuidade e qualidade dos serviços. Para o mercado, o aval dos órgãos reguladores será determinante — tanto para permitir a venda quanto para evitar risco de concentração ou interrupção de serviços essenciais.
Do ponto de vista econômico, a operação dá um fôlego imediato ao caixa da Oi, mas não resolve a natureza estrutural da recuperação judicial. A venda sinaliza que o grupo seguirá desinvestindo ativos para levantar liquidez, o que amplia a pressão sobre dirigentes, credores e reguladores para acelerar soluções compatíveis com a manutenção de serviços e empregos. Cade e Anatel têm agora papel central: sua decisão terá impacto direto na trilha de recuperação da Oi e na dinâmica competitiva do setor de telecomunicações.