A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou que há sinais de que o crescimento do comércio global de mercadorias pode estar começando a desacelerar, mesmo depois de mostrar resiliência no primeiro semestre de 2026 diante da perturbação causada pelo conflito no Oriente Médio. O relatório alerta para uma desaceleração incipiente, sem, porém, devolver o volume comercial abaixo da tendência histórica.
O barômetro do comércio de bens — indicador com capacidade preditiva de dois a três meses — recuou de 102,3 para 101,7. Leituras acima de 100 apontam que o comércio segue acima da tendência, mas a queda sinaliza perda de impulso. O relatório destaca que o índice de componentes eletrônicos chegou a 105,5, acima da tendência, enquanto o transporte aéreo de frete e o transporte por contêineres marcavam 102,2 e 102,4, respectivamente. Já as matérias‑primas agrícolas ficaram ligeiramente abaixo da tendência.
A OMC já havia estimado que o crescimento do comércio mundial de bens desaceleraria a 1,9% em 2026, ante 4,6% em 2025, e advertiu que a continuação do conflito pode agravar o recuo ao elevar preços de energia e atrapalhar o transporte global. Em outras palavras, a combinação entre choques geopolíticos e custos logísticos segue como risco capaz de transformar uma desaceleração moderada em um freio mais pronunciado ao comércio.
Para governos e mercados, a leitura exige atenção: um comércio global mais fraco tende a reduzir demanda por commodities e a complicar cenários de crescimento, receita e emprego em economias abertas. A mensagem política é clara na área econômica: priorizar eficiência logística, estabilidade fiscal e política comercial previsível, enquanto acompanha sinais setoriais — como a força dos eletrônicos ligados à IA — que podem atenuar, mas não eliminar, riscos mais amplos.