A Organização Mundial do Comércio estima que um conjunto de reformas que fortaleça o sistema multilateral pode aumentar o PIB mundial em 2,9% até 2050. Em contrapartida, a erosão das regras atuais ou a substituição da OMC por redes fragmentadas de acordos poderiam impor perdas muito maiores, revelando um custo de oportunidade relevante para a economia global.

O relatório modelou três cenários: o mais favorável combina maior abertura, novas regras para comércio digital e serviços e mais adesões à OMC, elevando as exportações globais em 17,9%. Um mundo dividido em blocos geopolíticos reduziria o PIB em 5,1% e faria as exportações recuarem 18,6%. No pior cenário, com a OMC praticamente substituída, as perdas chegariam a 6,9% do PIB e 26,9% das exportações.

Apesar do diagnóstico severo — que qualifica a atual ruptura como a mais grave em décadas — a OMC lembra que ainda cerca de 72% do comércio de mercadorias opera sob as normas de nação mais favorecida e que a adesão desde 1995 contribuiu para um crescimento substancial do comércio entre membros.

Do ponto de vista econômico e político, o relatório aponta desafios concretos: redistribuição do poder econômico, expansão de subsídios e intervenções estatais, transformação das cadeias globais diante da digitalização e da IA, e tensões geopolíticas. Para governos, isso significa que o custo de inação ou de desintegração multilateral pode se traduzir em impacto real sobre exportações, cadeias de suprimentos e, por extensão, sobre emprego e inflação.

A mensagem para formuladores de políticas é clara: preservar a OMC não é manter o passado intacto, mas adaptar regras à economia atual. Para países exportadores e economias abertas, há uma janela de oportunidade para renegociar padrões e evitar um cenário em que o comércio se torne mais imprevisível e dominado pelo poder geopolítico.