O conselho de administração da Oncoclínicas aprovou proposta de operação apresentada pela MAK Capital e pela Lumina que prevê um aporte entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a ser financiado pela Lumina. Segundo o fato relevante enviado à CVM, o objetivo declarado é viabilizar a aquisição de medicamentos junto à OncoProd e preservar a geração de receitas das empresas envolvidas, mantendo a continuidade da cadeia de fornecimento essencial.

A estrutura proposta prevê a constituição de garantia fiduciária sobre recebíveis originados de contratos da rede credenciada da Oncoclínicas com operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras. A implementação, porém, está sujeita à celebração de documentos definitivos e ao cumprimento de condições precedentes usuais, além da formalização dos instrumentos entre Oncoclínicas e OncoProd e da definição do montante de recebíveis a ser cedido.

A operação também depende da obtenção das anuências necessárias das operadoras, hospitais e seguradoras para vinculação e direcionamento dos recebíveis — um ponto que pode atrasar ou condicionar o desembolso. No mesmo comunicado, a companhia informou renúncias no conselho: Bruno Lemos Ferrari e Marcelo Gasparino deixaram seus cargos com efeitos imediatos, e foram nomeados Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK, e o próprio diretor-presidente Carlos Gil Ferreira para completar o colegiado até a assembleia convocada para dia 30.

Além de atacar um problema de liquidez de curto prazo, o acordo altera a governança no curto prazo e fortalece a presença de um representante ligado à MAK no conselho. Ao mesmo tempo, a dependência de garantias sobre recebíveis e de anuências externas expõe a operação a riscos de execução e a possíveis tensões com parceiros comerciais, o que colocará o cumprimento do cronograma e a efetiva preservação de receitas sob observação do mercado.