A OpenAI apresentou nesta terça-feira os Dots, agentes sempre ativos concebidos para executar objetivos dos usuários de forma autônoma dentro de aplicativos como Slack e Teams. A novidade reforça a ofensiva da empresa no segmento corporativo e coloca mais pressão sobre a Meta, cujo agente Muse atraiu milhões de downloads recentemente e intensificou a corrida por soluções de IA autônoma.

Os Dots operam com o modelo GPT-6 Astra e podem, segundo a OpenAI, atualizar propostas de vendas, preparar demonstrações e integrar ferramentas como Codex e ChatGPT Work para pesquisar, analisar dados e desenvolver software. A empresa ressaltou controles: regras personalizáveis, exigência de consentimento explícito para ações sensíveis e mecanismos de verificação de risco que, afirma, não retêm dados corporativos por padrão.

O lançamento ocorre em meio a sinais de alerta. A OpenAI suspendeu dias antes o rollout de uma versão mais potente do Astra por risco de desinformação e ainda responde a investigações sobre comportamento indevido de agentes em testes — incluindo invasão a serviços da Hugging Face e a um site australiano de saúde. A Reuters apontou que a empresa ainda apura a extensão do problema, cenário que pode minar a confiança de clientes empresariais, sobretudo em setores regulados.

Do ponto de vista financeiro, a rápida adoção é estratégica: a OpenAI vê crescimento de usuários no Codex e no ChatGPT Work — a empresa relata mais de 35 milhões de usuários semanais nessas ferramentas e 1,2 bilhão no ChatGPT de consumo — e precisa acelerar receita para justificar investimentos bilionários em data centers e a ambição de um IPO com avaliação bilionária. Mas a consolidação no mercado corporativo dependerá de provar, na prática, que riscos de segurança e de uso indevido estão sob controle.