A Opep+ deve aprovar um novo aumento em sua meta de produção para julho, segundo três fontes consultadas, em um passo que — na superfície — se apresenta como retorno à normalidade. O aumento previsto para as cotas mensais é de cerca de 188.000 barris por dia (bpd), o mesmo ajuste já combinado para junho depois de revisões que levaram em conta a saída dos Emirados Árabes Unidos do acordo.
O movimento, entretanto, não apaga a dimensão do choque: a produção média do grupo registrou queda de cerca de 42,77 milhões bpd em fevereiro para 33,19 milhões bpd em abril, um recuo aproximado de 9,6 milhões bpd. A redução decorre, em grande parte, de cortes efetivos de exportação de membros do Golfo e da saída dos Emirados, além das perturbações logísticas provocadas pelo fechamento temporário do Estreito de Ormuz.
Na prática, o ajuste de julho faria com que sete membros — Arábia Saudita, Iraque, Kuweit, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã — aumentassem suas cotas em conjunto em quase 600.000 bpd entre abril e junho, e adicionassem mais 188.000 bpd em julho. Se mantidos aumentos mensais próximos a esse patamar para agosto e setembro, cerca de 567.000 bpd do corte originalmente acordado em 2023 retornariam ao mercado até o fim de julho, o que levaria à reversão do restante do corte até setembro.
Do ponto de vista econômico, a sinalização de oferta maior tende a aliviar pressões sobre preços e volume disponível no curto prazo, mas a conta política e institucional permanece. A fragilidade demonstrada pela queda substantiva da produção expõe dependência do mercado em poucos produtores e a sensibilidade a rupturas geopolíticas — fatores que continuam a introduzir volatilidade. Reuniões técnicas em Viena e as mesas ministeriais, algumas em formato virtual, serão palco para medir consenso entre membros com interesses e capacidades distintas; a decisão final, dizem as fontes, ainda não está formalizada.