A Opep+ anunciou neste domingo mais um aumento nas metas de produção: 188.000 barris por dia (bpd) a partir de julho. É a quarta elevação em cerca de dois meses, decidida por sete dos 21 membros que vêm coordenando as mudanças de oferta desde a saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel.

O gesto, porém, tem efeito limitado. A guerra que envolve EUA e Irã interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz e impediu que grandes produtores do Golfo entreguem o volume combinado contratado. A produção do grupo caiu de 42,77 milhões bpd em fevereiro para 33,19 milhões em abril, segundo dados oficiais da Opep.

Desde abril, as cotas dos sete países já aumentaram quase 600.000 bpd, mas a capacidade efetiva ficou aquém devido aos cortes e à saída dos Emirados. Analistas destacam que ampliar as metas não recupera oferta que fisicamente não chega ao mercado enquanto o Estreito estiver fechado; ao mesmo tempo, a reabertura pode deslocar o cenário de escassez para o risco de excesso de oferta muito rapidamente.

Para mercados e governos produtores, o quadro agrava a incerteza sobre receitas e planejamento fiscal. O aumento anunciado faz parte do desmonte gradual do corte de 1,65 milhão bpd acordado em 2023, e, se mantidas altas mensais semelhantes, o restante do corte pode ser devolvido até o fim de setembro — ritmo que manterá a volatilidade e complicará projeções de preços e orçamentos.